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Em 4 anos, secas e inundações afetam 55,7 milhões de brasileiros

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

© Foto: Sambaphoto/Rui Rezende/Getty

Estiagens, secas, enxurradas, inundações. Os fenômenos naturais que sempre marcaram diferentes regiões do País, que vive situação de estresse hídrico, nunca expuseram cenários tão extremos como os ocorridos nos últimos anos. Entre 2013 e o ano passado, os desastres naturais afetaram 55,7 milhões de pessoas - mais de 25% da população nacional. No total, as perdas são R$ 9 bilhões por ano.

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Os dados são do relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2017, feito a cada quatro anos pela Agência Nacional de Águas (ANA), ao qual o Estado teve acesso. O estudo aponta que, de 2013 ao ano passado, 78% dos 1.794 municípios do Nordeste decretaram, ao menos uma vez, situação de emergência ou estado de calamidade pública por causa da seca extrema que castiga a região desde o fim de 2012.

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Outros 2.641 municípios, 47,5% das cidades do País, decretaram emergência ou calamidade por causa de alagamentos, enxurradas e inundações.

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Entre 2013 e 2016, 48 milhões de pessoas foram diretamente afetadas por secas e estiagens no Brasil. Outras 7,7 milhões sofreram os efeitos das cheias. O ano de 2016, que já entrou para a história como o mais crítico para seca, pode ser vencido por 2017. “Este ano deve se confirmar como o de pior período chuvoso, o mais seco desde 1931, quando começou a série histórica”, diz Joaquim Gondim, superintendente de operações e eventos críticos da ANA.

Antes restrita a áreas rurais e pequenos distritos, a escassez de água chega agora às cidades maiores no Ceará. Em Quixeramobim, município do sertão a 203 quilômetros de Fortaleza, a população só tem água nas torneiras um dia a cada cinco nos bairros da periferia.

Comerciantes precisam contratar carros-pipa para manter a higiene dos estabelecimentos. “Cada pipa de mil litros custa uns R$ 30. Isso acaba embutido no preço das mercadorias. O comércio local está numa situação desoladora. Fazia muito tempo que não via assim”, conta o professor Ítalo Câmara, que mora no local. 

Em 2012, 540 municípios do Nordeste eram atendidos por 3 mil carros. Quatro anos depois, em 2016, esse número mais que dobrou, chegando a 6.788.

Maior reservatório do Ceará, o açude Castanhão atingiu seu volume morto - quando a água fica abaixo do nível de captação - pela primeira vez desde que foi inaugurado em 2002. Embora o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca confirme, o Estado nega que o Castanhão esteja no volume morto e diz que a captação de água poderá ser feita até janeiro.

“Para além das questões climáticas, estamos colhendo frutos de muitas décadas de falta de gestão”, diz Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, o principal rio que passa pelo Nordeste. Para resolver o problema, ele defende recuperar matas ciliares e combater a erosão, entre outras ações.

Entre 2014 e 2016, foram estudados pela ANA 204 reservatórios de água do semiárido, que atendem mais de 10 milhões de habitantes. Apenas 85 reservatórios têm capacidade para atender novas demandas e os 119 restantes operam no limite.

Temporais

Já em Salto, no interior paulista, os moradores convivem com inundações. O comerciante Luiz Carlos Ganzano, de 55 anos, é obrigado a tirar de 20 a 30 dias de férias forçadas todo ano. Quando o nível do Rio Tietê começa a subir, ele fecha as portas de seu bar e vai para casa. Este ano, isso já aconteceu dez vezes. “Quase sempre a rua fica coberta pela água com lama e espuma por vários dias”, conta.

Em março, a enchente deixou 30 casas alagadas - duas caíram. No ano anterior, a água já havia coberto áreas turísticas. A prefeitura de Salto disse que a Defesa Civil monitora pontos banhados pelo Tietê e, quando há alerta de aumento no nível do rio, informa os moradores e isola as áreas de risco.

Para os especialistas da ANA, as mudanças drásticas nos padrões de chuvas são indícios das mudanças climáticas no País, cenário que tem alterado o mapa hidrológico. Esse processo intensificou-se nos últimos quatro anos, mas já se desenhava há pelo menos duas décadas. /COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA e CARMEN POMPEU

Assessoria de Comunicação Atividade FM